Pesquisa do 9º Ano

Concepções de corpo e sexualidade nas tradições religiosas

Diariamente, deparamo-nos tanto com diferentes comportamentos, reações, gostos, valores, como com diferentes formas de expressar pensamentos, ideias e crenças. Essas diferenças são questões culturais.

No senso comum, há pessoas que se utilizam das expressões “ter cultura” e “não ter cultura” como sinônimos de culto e não culto, gerando inúmeros preconceitos e discriminações, porque desconhecem que a compreensão do que é cultura pode estar muito além do que imaginamos.

É preciso considerar as diferentes compreensões relacionadas à cultura. Há estudos que indicam que seu surgimento está vinculado ao desenvolvimento do cérebro humano, consequência da vida Arborícola (referente ao que vive em árvores) dos antepassados, que auxiliou no desenvolvimento da capacidade de utilizar as mãos para manipular objetos, e ao bipedismo (capacidade de se locomover permanentemente sobre dois membros inferiores, nesse caso as pernas, de forma a manter uma posição ereta).

O relatório mundial da Unesco sobre diversidade cultural e diálogo intercultural apresenta um panorama sobre a temática, contextualizando diferentes olhares e apontando desafios a serem enfrentados no nosso tempo. Já na sua introdução, afirma que “A diversidade cultural vem suscitando um interesse notável desde o começo do novo século. Porém, os significados que se associam a essa expressão ‘cômoda’ são tão variados como mutáveis. Para alguns, a diversidade cultural é intrinsecamente positiva, na medida em que se refere a um intercâmbio da riqueza inerente a cada cultura do mundo e, assim, aos vínculos que nos unem nos processos de diálogo e de troca. Para outros, as diferenças culturais fazem-nos perder de vista o que temos em comum como seres humanos, constituindo, assim, a raiz de numerosos conflitos. Esse segundo diagnóstico parece hoje mais crível na medida em que a globalização aumentou os pontos de interação entre as culturas, originando tensões, fraturas e reivindicações relativas à identidade, particularmente a religiosa, que se convertem em fontes potenciais de conflito. Por conseguinte, o desafio fundamental consistiria em propor uma perspectiva coerente da diversidade cultural e, assim, clarificar que, longe de ser ameaça, a diversidade pode ser benéfica para a ação da comunidade internacional”.

Outros estudos indicam que o desenvolvimento da cultura se deu quando o homem convencionou a primeira regra ou norma. Ainda, há estudos relativos à passagem do estado animal para o humano quando o cérebro do homem foi capaz de gerar símbolos, representações, caracterizando o surgimento da cultura. A cultura vem a ser o princípio, a origem de todo e qualquer sistema cultural e se caracteriza como um processo em construção, desconstrução e reconstrução.

Por outro lado, compreende-se a cultura como um “conjunto das representações que os indivíduos têm do mundo e de si mesmos, dos valores a partir dos quais são apreciadas, das mediações técnicas e sociais”. Ou seja, a cultura é a diversidade de elementos que o ser humano desenvolve e utiliza para compreender o mundo e a si mesmo, seja ao estabelecer uma (inter)relação com o Outro, seja com as coisas.

Nessa mesma perspectiva, afirma-se que a cultura “se define como uma trama de sentidos e significados transmitidos por símbolos, mitos, acontecimentos, relatos, práticas e reconstruções que expressam uma compreensão e reconstrução do sentido da totalidade da existência e dos sujeitos entre si”.

A partir do momento em que o ser humano nasce, ele começa a ter contato com uma ou mais culturas e, cedo ou tarde, passa a ser considerado portador de culturas e não de uma única e determinada cultura. Ainda, no desenvolvimento do ser humano e na forma de ele se relacionar com o mundo e seus semelhantes, identifica-se a dimensão da religiosidade, que integra a vida das pessoas independentemente da cultura. Por isso, exerce grande influência na forma de ser, pensar e coexistir do ser humano.

A religiosidade é uma dimensão, inerente ao ser humano, que contribui para a busca de respostas às grandes interrogações da existência. É o desejo daquilo que transcende o mundo visível, daquilo que é considerado Sagrado, espiritual, mas que incide significativamente no cotidiano das pessoas, pois se trata de uma experiência com o Transcendente, que pode ser realizada por meio de atitudes, orações, comportamentos etc. A religiosidade engloba um conjunto de sentimentos que se manifestam por meio de rituais, cultos, festas, nomes de pessoas, nomes de escolas e cidades, entre outras expressões que revelam a presença do Sagrado como elemento da cultura.

A presença da religiosidade é constatada desde o início dos tempos, por meio de achados arqueológicos de povos antepassados, entre os quais foram identificados símbolos, objetos e representações religiosas.

No Brasil, a diversidade de religiosidade ampliou-se com a chegada dos colonizadores e o seu relacionamento com os povos indígenas, com a chegada dos navios negreiros trazendo escravos do continente africano, com a imigração e a globalização, que proporcionaram o desenvolvimento de outras crenças e manifestações religiosas. É o caso do Espiritismo, das Religiões afro-brasileiras, protestantes, pentecostais, neopentecostais, orientais, esotéricas e muitas outras.

Surgem no Brasil, atualmente, muitos grupos de cunho religioso, os quais são denominados de novas religiosidades, práticas alternativas e/ou grupos místicos esotéricos, que apresentam valores, significados e visões de mundo relacionados a aspectos de Religiões indianas, egípcias, japonesas, tibetanas, amazônicas etc. Uma das características presentes nessas novas religiosidades, segundo a mesma autora, é que não possuem doutrinas, clero ou hierarquia.

Cabe lembrar que o Brasil é um Estado laico, isto é, que não tem nenhuma Religião oficial desde a implantação da República, a partir de 1890. Isso significa que o Estado não deve privilegiar uma ou outra forma institucionalizada de religiosidade em relação às demais, mas deve garantir o respeito à diversidade religiosa, incluindo os que optam em não ter Religião.

A religiosidade torna-se mais evidente à medida que o ser humano, de acorda com sua confessionalidade, dispõe-se a participar seja de momentos de oração, peregrinações, rituais, meditações, cultos devocionais, procissões, estudos do Texto Sagrado, novenas, jogo de búzios, taro ou outras práticas. No processo de vivência da religiosidade, pode haver a procura por orientação e mediação de pessoas acessíveis e sensíveis para se relacionar com o Sagrado, ou se pode recorrer ao uso de imagens, colares, fitas, bentinhos, rosários, medalhas e à prática de benzeções.

Mas qual a relação entre religiosidade e cultura?

Primeiramente, é preciso lembrar que todo ser humano nasce em uma cultura em que ele, geralmente, vai aprendendo sobre o que é favorável ou não à vida, inclusive com relação ao que convém em termos de religiosidade, construindo, assim, sua identidade. Passa a cultivar sua religiosidade conforme os costumes, os preceitos e as crenças do grupo familiar, das pessoas do convívio. Portanto, aquele desejo inerente ao ser humano assume as características culturais de como acreditar, em que acreditar e por que acreditar, bem como as formas de expressar e cultivar crenças por meio dos ritos, símbolos, objetos, gestos e outros.

A religiosidade serve de base para os grupos humanos estruturarem e/ou institucionalizarem o que conhecemos por Tradição Religiosa, Religião ou outras denominações. Nesse sentido, a religiosidade está presente em todas as culturas, pois nelas encontram-se crenças e diferentes maneiras de expressá-las. Negá-las é negar e violar o direito à dignidade e à liberdade de crença ao Outro.

A formação da identidade do ser humano

Independentemente do tempo histórico ou do espaço sociocultural em que vive, o ser humano vem, desde suas origens, manifestando o desejo de conhecer-se melhor: saber quem é, de onde veio, o que faz aqui, para onde vai etc., questões existenciais que, ainda hoje, estão sendo respondidas e são motivo de muitas discussões. Ao fazê-las a si mesmo, ou a um de seus semelhantes, o ser humano demonstra estar pesquisando sobre a própria identidade. Mas você já parou para pensar sobre alguns desses aspectos do parágrafo anterior? Possíveis respostas existem, mesmo não tendo ainda refletido a respeito ou obtido plena certeza!

A identidade refere-se àquilo que se é; e a diferença, aquilo que o Outro é. A identidade e a diferença não podem ser compreendidas separadamente. Em outras palavras, pode-se dizer que não conseguimos existir sem o Outro, pois ele é uma condição para que eu seja, a cada instante, melhor do que já sou.

Como você pôde perceber, a identidade é inseparável das diferenças, pois cada ser humano precisa do Outro para ser compreendido de forma adequada, isto é, o Outro vem a ser um espelho que revela a minha identidade. A identidade é simplesmente aquilo que se é: “sou brasileiro” e a diferença é aquilo que o Outro é: “ela é italiana”, isso significa que não sou e não posso ser aquilo que o Outro é. A diferença entre o eu e o Outro caracteriza a minha identidade e a identidade do Outro.

Aquilo que possibilita a aproximação e o respeito entre as culturas e as Religiões é a diferença, e não a homogeneidade. Portanto, negar as diferenças é como negar a existência do Outro e, por que não dizer, o próprio “eu” mesmo.

É no interior da cultura, entendida como “conjunto de reflexões e ações, de criações e tradições, de formas e possibilidades, de realidades e perspectivas, de uma comunidade humana determinada”, que se concebe e constrói a identidade. Ela é reconhecida na medida em que as diferentes expressões se integram em um universo plural e multicultural.

As diferentes identidades humanas se formaram em um mundo, de certo modo, marcado pela diversidade de culturas, em diferentes tempos, lugares e espaços. As sociedades antigas produziram as primeiras diferenciações mais em nível biológico, como a diferenciação de idade, cor e gênero. Mantendo na base alguns traços em comum, algumas delas começaram a se diversificar, desenvolvendo crenças, mitos, línguas, formas de subsistência, organização social e familiar.

No decorrer dos tempos, essas distinções foram se tornando características de determinados grupos, formando, assim, suas identidades. As relações instituídas na família, nos grupos religiosos, nos grupos de amigos, com as crenças, as formas de pensar e compreender o mundo, de se expressar e de viver deixam marcas profundas no processo de formação da identidade pessoal.

Portanto, a identidade individual está relacionada à identidade coletiva, em que cada ser humano está inserido e se desenvolve. Esse desenvolvimento acontece em toda a vida e é marcado por transformações, conflitos e questionamentos em todos os níveis, especialmente o religioso, pois a identidade do ser humano, independentemente da cultura, tem forte influência das Tradições Religiosas presentes no contexto em que é concebida, além de outros elementos históricos e sociais que, com o passar do tempo e a multiplicidade de relações, ampliam-se significativamente.

A ampliação dos contatos com a sociedade em geral, na qual o sujeito se constitui, irá ampliar o perfil da identidade, ou seja, com características próprias daquela sociedade e cultura. Entretanto, a forma de existir de cada sujeito (identidade) está baseada nas relações que estabelece com o meio, de acordo com sua maneira de interpretá-las e de compreendê-las.

Por se constituir nas relações, pode-se afirmar que cada sujeito está em constante construção de sua identidade. Algumas características podem permanecer por toda a vida, mas algumas não, pois ninguém será aos 30 anos o que foi aos 10 anos.

Identifica-se, no entanto, nas últimas décadas, uma forte tendência de universalizar as identidades, em que se constrói o Outro como diferente, sendo negado em sua dimensão transcendental e infinita, e reduzido a uma espécie de objeto, sujeito à manipulação e à exploração. Essa situação é resultado da valorização e do enaltecimento demasiado de determinadas identidades em suas características humanas, sociais e culturais.

As Tradições Religiosas são, nesse sentido, desafiadas a auxiliar o ser humano para compreender a importância do respeito às diferentes identidades culturais, étnicas e religiosas em prol de um exercício de cidadania e da cultura de paz. Assim, ajudam a promover a aceitação e a compreensão do Outro, seja por meio da abertura ao diálogo, seja do desenvolvimento do senso crítico com relação a qualquer forma de preconceito.

Pesquisa do 8º Ano

Fundamentação dos limites éticos pelas tradições religiosas

A ética surge a partir da necessidade constante de avaliar o que está estabelecido como moralmente correto. Implica fazer escolhas, portanto, ela deve provocar uma constante reflexão sobre o que se deve fazer diante do que está estabelecido como “correto”, “bom”, “justo” ou não. A ética, nesse sentido, não é estática, mas dinâmica, e possibilita ao ser humano contribuir com a humanidade no tempo e no contexto histórico-sociocultural em que está inserido. Ela é o “espirito” que está por trás das leis, normas, valores e princípios.

A ética envolve a legitima preocupação com a dignidade das pessoas em todas as situações que vivemos, independentemente das diferenças — classe social, etnia, sexo, crença religiosa etc. É por meio de comportamento e postura ética que se pode respeitar os valores morais e, assim, realizar um verdadeiro encontro com o Outro, considerando-o tão importante quanto nós mesmos.

Atualmente, é possível encontrar situações em que a ética deixa de ser praticada, o que torna muito ser humano sempre refletir suas atitudes antes de expressá-las. Para viver de maneira soas precisam exercitar outras qualidades que as conduzem para uma convivência acolhedora, tais como: sensibilidade, ternura, compreensão, tolerância e respeito.

o reage a quaisquer elementos que estejam disponíveis à sua volta, entre eles Outro, de causar emoções que regulam suas ações e influenciam a maneira de vê-lo. Tais outro estão relacionadas à opinião da pessoa sobre as diferenças. Assim, se a pessoa considera as diferenças uma ameaça à sua liberdade e segurança individual, reagirá de modo a promover conflitos. Por outro lado, se a pessoa considera as diferenças enriquecedoras e desafiadoras, reagirá com abertura para conhecer o Outro.

Aproximar-se do Outro exige abrir mão da imagem que ele transmite, que algumas vezes pode assustar ou incomodar, para conhecê-lo em sua identidade e alteridade. Da mesma maneira, tão importante quanto esse processo é deixar-se conhecer, evitando usufruir de uma imagem que mantém a sensação de segurança para arriscar-se a encontrar alguém confiável, que retribua o respeito dedicado. A cultura concede orientações para o encontro com o Outro, influenciando a maneira de agir do ser humano. Como destaque na cultura, podem-se citar as Tradições Religiosas que contribuem para a prática da ética, pois concedem orientações e outros elementos que permitem reconhecer a importância de evitar situações em que a dignidade da vida seja ferida. Para isso, é necessário compreender quais são os princípios éticos que as Tradições Religiosas oferecem aos indivíduos e à sociedade, considerando que a ética não está relacionada apenas às leis e obrigações, mas está vinculada à liberdade de cada cultura viver seus costumes de forma consciente e respeitosa.

Nesse contexto, as Tradições Religiosas devem propor a ética da alteridade, princípio que permite estabelecer uma relação respeitosa, fundada na acolhida, na liberdade e na responsabilidade, influenciando o modelo de convivência da pessoa e o respeito que é capaz de expressar com relação a si mesma e ao próximo.

Ética da alteridade é o princípio que orienta para a libertação de todo preconceito para acolher e (re)conhecer o Outro como ele se apresenta e, assim, estabelecer relação sem o interesse de que o Outro seja como você deseja que ele seja.

Para as Tradições Religiosas tribais (povos africanos, afro-brasileiros e indígenas), a ética da alteridade se concretiza no profundo respeito, cuidado e preservação da vida como um todo. A África Negra, e as culturas afro-brasileiras (Candomblé, Umbanda, Tambor de Mina, entre outras) são exemplos que podem contribuir significativamente para a humanidade porque possuem:

  • forte senso de comunidade e solidariedade;
  • profundo respeito ao Sagrado;
  • apreciação dos critérios tradicionais e valorização dos anciãos;
  • visão holística do mundo e do ser humano, havendo espaço e lugar para todos independentemente de idade, ou seja, nessa visão, não é possível compreender o ser humano e o mundo separadamente.

Os povos indígenas da América do Norte, América Central e América do Sul apresentam características histórico-socioculturais especificamente diferentes. No Brasil, mesmo apresentando uma enorme diversidade, há algumas orientações éticas semelhantes que podem contribuir significativamente para a humanidade, como:

  • a relação de respeito com a natureza como elemento Sagrado;
  • a extração dos bens naturais de forma equilibrada, sem desperdícios;
  • o profundo respeito aos anciãos da comunidade;
  • o senso de justiça e solidariedade;
  • a educação para a autonomia, independência e responsabilidade, isto é, uma educação que, respeitando as fases do desenvolvimento, possibilite ao ser humano maior consciência das consequências dos seus atos e da importância de terem opiniões que contribuam com o bem comum.

 

Nas Tradições Religiosas ocidentais, a questão ética está mais relacionada a um conjunto de valores e normas humanizadoras, fundadas na crença a uma divindade.

Na Tradição Religiosa judaica, a ética encontra o fundamento na consciência comunitária e no compromisso com o Transcendente, expresso nas Tábuas da Lei — os Dez Mandamentos. São parâmetros para a percepção da ética, que orientam a vida humana nos aspectos social, cultural e religioso.

Na Tradição Religiosa cristã, a ética é compreendida a partir da mensagem e a ação de Jesus, que passam a ser o fundamento da compreensão da ética cristã. Ser ético, segundo a tradição cristã, é comprometer–se em defender radicalmente a vida, respeitando as diferenças e a dignidade do ser humano.

Na Tradição Religiosa islâmica há uma preocupação com a felicidade em vida e após a morte. Assim, a principal preocupação ética dos muçulmanos são as questões sobre a justiça e as relações que o ser humano estabelece com os seus semelhantes e a natureza. As orientações são voltadas à convivência respeitosa nas famílias, às amizades, ao meio ambiente e ao temor ao Transcendente, fundamentadas nos cinco pilares do Islã.

Tendo em mente as orientações éticas que estão relacionadas com as Tradições Religiosas tribais e ocidentais, pode-se considerar que e ética se constitui em:

  • preservar a vida em todas as suas expressões.
  • respeitar as diferenças.
  • construir relações pautadas no respeito e na confiança.
  • alegrar-se com o bem da coletividade e do Outro.
  • promover os direitos humanos e sociais.
  • não se apegar aos bens materiais.
  • recriar as relações com a natureza, reconhecendo sua dimensão de sacralidade.

 

Orientações de vida, normas e limites éticos das tradições religiosas.

A ética nas Tradições Religiosas orientais está  estritamente vinculada à cultura e aos valores dos diferentes povos que mantêm crenças e orientações éticas que perpassam séculos, as quais influenciaram e influenciam significativamente na organização social e na forma de viver no dia a dia.

Pode-se perceber que as Tradições Religiosas têm muito a contribuir para que as pessoas realizem a prática de atitudes éticas que beneficiam a sociedade. Que tal conhecer outras orientações dessas Tradições Religiosas relacionadas à ética?

O Jainismo, doutrina religiosa, valoriza a prática da meditação, reflexão e raciocínio como orientações éticas para as atitudes das pessoas. Seus ensinamentos centram-se na importância da rigorosa prática ascética para a libertação da escravidão da existência material. A ascese é entendida como a adesão aos cinco Grandes Votos (não praticar violência, não mentir, não pegar nada que não seja dado, manter abstinência sexual e desapego material), vivendo em mendicância errante que envolve a prece, o jejum e o estudo. Os jainistas preocupam-se com a preservação da vida de todos os seres, agindo com total respeito por meio da não violência e alimentando-se de modo vegetariano.

No Hinduísmo, o comportamento é orientado por valores, normas e virtudes ensinados por meio dos Textos Sagrados e lideres religiosos. Valoriza-se a ação altruísta em favor do bem da humanidade, de modo que as pessoas procuram viver com uma sabedoria transformadora – adquirida pela meditação, ioga e filosofia – para libertar-se da natureza material estabelecida pelo carma (causa e efeito). As pessoas, portanto, procuram agir de maneira a não aguardar a retribuição dos seus atos tanto no âmbito social quanto no religioso, atingindo, assim, a paz permanente. Ainda, no Hinduísmo, vive-se o caminho da devoção a partir da legítima entrega da pessoa ao Ser Supremo, que perdoa seus pecados e erradica o carma. As orientações para uma vida de ética são diferentes para cada casta.

Patanjali, fundador da filosofia da ioga em meados do século II a.C, auxiliou na primeira sistematização da ética hinduísta, entendida como:

  • a não violência.
  • a veracidade.
  • o não furtar.
  • a castidade, a vida pura.
  • a não cobiça, o não possuir.

 

O Taoismo, antiga Religião chinesa dos xamãs e adivinhos, iniciada por Lao Tse, está presente no Oriente em comunidades mais tradicionais e orienta-se pelo princípio ético do intervir na natureza somente naquilo que é extremamente necessário, isto é, respeitar o ritmo e a dinâmica da natureza. Além disso, fundamenta sua ética na crença da imortalidade, em que sua compreensão está relacionada com o cumprimento de algumas orientações que são:

  • não enganar os outros;
  • não iludir;
  • praticar boas ações;
  • fazer penitência pelos próprios erros;
  • buscar progredir na meditação e na vida diária.

 

No Xintoísmo, a ética orienta-se por preceitos que envolvem, especialmente, ater-se à verdade, evitando-se ver, ouvir e falar o que é falso. O ser humano precisa viver com retidão, ajudando os outros com alegria em busca da paz a si e à sociedade.

Há especial cuidado com as atitudes, que devem manter-se puras diante das divindades, levando o ser humano a procurar a elevação espiritual por meio da constante purificação. Ainda, no Xintoísmo, as divindades atribuem valor sagrado a todos os elementos da natureza, de modo que são compreendidos de forma interligada e interdependente.

No Budismo, as orientações para a prática da ética estão relacionadas com a importância de agir com compaixão e sabedoria. Todas as pessoas, segundo Buda, são capazes de atingir a iluminação por meio da prática diligente, dedicando bondade amorosa a todos os seres vivos. Evitando o apego e eliminando o carma negativo, os budistas acreditam ser capazes de ir libertar-se do ciclo de morte e renascimento.

Agir com ética, para o Budismo, envolve o controle dos pensamentos e comportamentos que, influenciados por seis sentidos (visão, audição, olfato, paladar, corpo e mente), mantêm o ser humano prisioneiro do sofrimento. Nesse contexto, os budistas preocupam-se com o próximo, pois somente a partir do esforço amoroso e equilibrado em favor dos outros será possível construir justiça social e paz interior.

Em 1993, na cidade americana de Chicago, reuniram-se no, Parlamento das Grandes Religiões centenas de lideranças religiosas a fim de discutir a declaração para uma ética mundial. Dalai-lama, líder do Budismo Tibetano, foi o primeiro a assinar a Declaração e é um dos mais comprometidos em proclamá-la na atualidade.

As orientações éticas das Tradições Religiosas orientais influenciam não somente a prática dos seus seguidores, mas também encontram-se presentes nas atitudes dos líderes religiosos que as fortalecem com seu exemplo.

Identifica-se, nas Tradições Religiosas orientais, empenho no cultivo de uma consciência ética em que a justiça, a paz, a solidariedade, a harmonia e o respeito às diferenças étnico-religiosas sejam um ponto de encontro e de transformação da sociedade.

Pesquisa do 7º Ano

Contexto e evolução das tradições religiosas no decorrer dos tempos.

Das tantas coisas interessantes nas comunidades humanas, uma delas, sem dúvida, é o aspecto religioso, que podemos encontrar em todas, das mais antigas às atuais.  Não temos notícias de comunidades que, por mais remotas que sejam não possuam em sua história alguns aspectos religiosos. Sabemos que a humanidade deu grandes passos em direção à sua civilidade, à sua organização, em suma, ao seu desenvolvimento. Como a religiosidade é própria do ser humano, também podemos nos referir ao desenvolvimento religioso como uma forma de maturidade que o ser humano foi adquirindo com o passar do tempo.

Em razão das diferenças entre as comunidades e a maturidade adquirida, as formas com que o ser humano se relaciona com o Transcendente são variáveis de comunidade a comunidade. Apesar dessas diferenças, percebemos traços próprios e típicos, que revelam a fase pela qual a humanidade está passando. Por exemplo: entre as tribos primitivas facilmente poderíamos encontrar atitudes como a da conhecida “dança da chuva”, em que os membros da comunidade se reuniam para dançar de maneira especial, visando agradar ao deus responsável pela chuva;             Para os povos primitivos os fenômenos meteorológicos, a chuva, os relâmpagos, eram vistos como manifestação da divindade existente em cada um desses fenômenos.

Animismo é acreditar que os elementos da natureza possuem espírito, possuem alma, e daí que eles têm vontade própria, que são guiados por deuses ou eles mesmos são considerados deuses. Entre algumas tradições religiosas, sobretudo aquelas que possuem sua origem entre os povos africanos, a fé animista é bastante comum.

Construção das crenças e ideologias religiosas no tempo e no espaço

Para conhecermos um pouco mais sobre a forma que o ser humano encontrou para comunicar-se com o Transcendente, precisamos conhecer ainda outros termos novos. O primeiro é a expressão utilizada para afirmar que determinada comunidade humana, ou religiosa, acredita em mais de um deus. Neste caso, dizemos que essa comunidade é politeísta. Entre as religiões politeístas, encontramos o hinduísmo, todas as religiões de origem indígena, as de origem africana, entre outras.

Qual o termo que devemos conhecer para denominar aquelas religiões que acreditam na existência de um único Deus? O termo dado a essa característica que possuem certas religiões é monoteísmo.

Independentemente do modo em que acreditam na manifestação do Transcendente, as comunidades de fé animista, politeísta ou monoteísta possuem uma maneira comum de comunicar-se com a divindade. Esta maneira é: oração.

Vamos conhecer dois modos de oração que normalmente estão presentes em todas as tradições religiosas. Em todas as tradições religiosas, a oração individual é vista como um contato mais íntimo com o Transcendente. Em algumas tradições, as pessoas podem fazer a escolha de estar por algum tempo retiradas de sua comunidade. Essa atitude é chamada de “retiro”, porque a pessoa fica sem contato com o que faz normalmente em seu dia-a-dia, como o seu trabalho, os seus amigos e a sua  família. É o contato com a divindade de maneira comunitária, e revela, entre outras coisas, a união que pode e deve existir em um grupo religioso. Em todas as tradições religiosas, podemos encontrar alguma forma de oração comunitária.

Evolução das religiões:

Animismo – Panteísmo – Politeísmo – Monoteísmo

Religiões self-service é servir-se apenas do que nos interessa nas religiões – O evangelho de conveniência é viver do evangelho apenas o que nos é conveniênte – O católico de IBGE é aquele que não frequenta a Igreja, mas quando o IBGE aparece fazendo pesquisa ele responde que é católico.

As 8 maiores religiões do mundo

  1. Espiritismo (aprox. 13 milhões de adeptos)

Espiritismo não é exatamente uma religião, mas também entra na lista. A sobrevivência do espírito após a morte e a reencarnação são as bases dessa doutrina, que surgiu na França e se expandiu pelo mundo a partir da publicação de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec (1857). É no Brasil que se encontra a maior comunidade espírita do mundo: 1,3% da população do país é espírita.

  1. Judaísmo (aprox. 15 milhões de adeptos)

Atualmente, a maior parte dos judeus do mundo vive em Israel e nos Estados Unidos, para onde migraram fugindo da perseguição nazista. Mesmo assim, os judeus representam somente 1,7% da população norte-americana. Enquanto isso, na Argentina, nossos hermanos judeus são 2% da população.

  1. Sikhismo (aprox. 20 milhões de adeptos)

Embora pouco difundido, o Sikhismo é a sexta maior religião do mundo.  A doutrina monoteísta foi fundada no século 16 por Guru Nanak e se baseia em seus ensinamentos. O sikhismo nasceu na província de Punjab, na Índia, e grande parte de seus seguidores ainda vivem na região. Eles representam 1,9% da população da Índia e 0,3% de Fiji.

  1. Budismo (aprox. 376 milhões de adeptos)

A doutrina baseada nos ensinamentos de Siddharta Gautama, o Buda (600 a.C.), busca a realização plena da natureza humana. A existência é um ciclo contínuo de morte e renascimento, no qual vidas presentes e passadas estão interligadas. Como era de se esperar, essa religião oriental é a principal doutrina em vários países do sudeste asiático, como Camboja, Laos, Birmânia e Tailândia. No Japão, é a segunda maior religião do país: 71,4% da população é praticante (muitos japoneses praticam mais de uma religião e, portanto, são contados mais de uma vez).

  1. Religião tradicional chinesa (aprox. 400 milhões de adeptos)

“Religião tradicional chinesa” é um termo usado para descrever uma complexa interação entre as diferentes religiões e tradições filosóficas praticadas na China. Os adeptos da religião tradicional chinesa misturam credos e práticas de diferentes doutrinas, como o Confucionismo, o Taoísmo, o Budismo e outras religiões menores. Com mais de 400 milhões de praticantes, eles representam cerca de 6% da população mundial.

  1. Hinduísmo (aprox. 900 milhões de adeptos)

Baseado nos textos Vedas, o hinduísmo abrange seitas e variações monoteístas e politeístas, sem um corpo único de doutrinas ou escrituras. Os hindus representam mais de 80% da população na Índia e no Nepal. Mesmo com tamanha variedade, são apenas a terceira maior religião do mundo. Porém, ostentam um título mais original: o maior monumento religioso do planeta. Trata-se do templo Angkor Wat – depois convertido em mosteiro budista –, que tem cerca de 40 quilômetros quadrados e foi construído no Camboja no século XII.

  1. Islamismo (aprox. 1,6 bilhões de adeptos)

A medalha de prata na lista das religiões é dos muçulmanos. Segundo projeções, daqui vinte anos, eles serão mais de um quarto da população mundial. Se esse cenário se concretizar, o número de muçulmanos nos Estados Unidos vai mais do que dobrar e um quarto da população israelense será praticante do islamismo. Além disso, França e Bélgica se tornarão mais de 10% islâmicas. O fundador do islamismo é Maomé.

  1. Cristianismo (aprox. 2,2 bilhões de adeptos)

Mesmo com o crescimento de outras religiões, o cristianismo continua sendo a doutrina com mais adeptos no mundo todo. Porém, seus seguidores têm mudado de perfil. Há um século, dois terços dos cristãos viviam na Europa. Hoje, os europeus representam apenas um quarto dos cristãos. Mas, o interessante mesmo é apontar onde o cristianismo mais cresceu no último século: na África Subsaariana. De 1910 para cá, a população cristã da região saltou de 9 para 516 milhões de adeptos.

 

Pesquisa do 6º Ano

A tradição oral – Aspectos e contribuições

As tradições orais remetem para a memória de um grupo social, de um povo para o qual a integridade e a veracidade são garantidas pelos anciãos, que têm a função de orientar o comportamento dos mais jovens. As tradições orais, segundo alguns sociólogos, são a garantia simbólica da ordem das comunidades.

A tradição oral tem, na palavra falada, os ensinamentos relacionados ao Universo e, por meio dela, são comunicadas, de geração em geração, as crenças, os valores, os conhecimentos e as histórias de uma cultura ou Tradição Religiosa. Nesse sentido, não se pode esquecer que a tradição oral está presente em todos os povos e culturas e transcende as questões relacionadas às Tradições Religiosas. Essa forma milenar de comunicação não é mais importante que a escrita ou que outras formas de comunicação, nem menos importante, por ser uma das formas universalmente utilizadas para manter a memória da cultura às gerações que se sucedem.

O ser humano nasce e cresce inserido em um determinado contexto cultural, do qual assume valores, comportamentos, conhecimentos, hábitos, crenças e costumes que farão parte de sua vida. Esse conjunto de elementos herdados e assumidos pelo ser humano denomina-se tradição, cuja forma mais antiga de transmissão é por meio da oralidade.

Mas o que vem a ser mesmo a tradição oral?

O termo “orar refere-se à fala emitida por meio de linguagens constituídas de significados nas diferentes culturas. Portanto, a tradição oral é uma espécie de cultivo da memória dos princípios, valores, ensinamentos e crenças que sempre serviram de referência ao convívio das pessoas pertencentes a uma cultura ou povo. Esses conhecimentos foram transmitidos oralmente de geração em geração em forma de relatos, cantos, danças, rituais, poesias e histórias.

As histórias sempre foram muito contadas pelos adultos e, especialmente, idosos para orientar as crianças e os jovens, apresentando por meio delas ensinamentos sobre a maneira mais adequada, em cada cultura, de se relacionar com o Outro: ser humano, natureza, Transcendente.

Portanto, é importante:

  • Pedir desculpas ao ofender alguém.
  • Pedir licença em vez de esbarrar nos outros.
  • Não dar apelidos às pessoas, mas chamá-las pelo nome.
  • Respeitar os idosos.
  • Cuidar do meio ambiente, a fim de construir uma consciência ecológica.
  • Respeitar a liberdade de crença, seja ela religiosa ou não.
  • Temer aquilo que é Sagrado e que se refere ao Transcendente.

 

Por meio da comunicação oral, na cultura africana, por exemplo, são transmitidos ainda hoje alguns conhecimentos relacionados à medicina, à presença dos ancestrais e às fases da vida (nascimento, juventude, vida adulta, morte e pós-morte) para orientar a comunidade sobre o que é melhor para todos.

Os elementos importantes no cultivo da tradição oral são o tempo, a memória, a comunidade e a convivência por meio do diálogo, que ocorre no constante exercício ouvir-falar e falar-ouvir. Esse aspecto contribui significativamente para uma educação fundamentada no respeito expresso no olhar e no cuidado com o Outro que se revela no diálogo e nas expressões corporais.

Muitas são as formas utilizadas para ensinar e aprender alguma coisa. Uma delas, que acompanha o ser humano por séculos, é a transmissão oral, que envolve dois instrumentos: a voz e a escuta. Por meio desses instrumentos, torna-se possível transmitir e conservar, por gerações, os valores, os ritos, as histórias e a visão de mundo de uma cultura.

Certamente, em sua vida você ouviu muitas histórias contadas por seus pais, avós e amigos e cada uma delas estava associada a um fato importante na vida da pessoa que a contou. No entanto, há histórias que ouvimos que se tornaram importantes para nós porque sua mensagem mexeu com nossa emoção e admiração, assim como também nos possibilitou refletir e adquirir um novo conhecimento, mesmo quando não eram histórias relacionadas diretamente à nossa vida ou à das pessoas com as quais convivíamos.

Um desafio que se coloca no mundo atual relacionado às histórias na tradição oral é a cultura escrita e a utilização de meios tecnológicos para a comunicação. Com isso, observa-se a dificuldade de compreender por que usar histórias no dia a dia, caracterizadas como tradição oral. Para entender melhor esse aspecto, complete as frases a seguir.

Quando um advogado precisa tirar uma dúvida sobre determinada lei, ele consulta a Constituição Federal ou o Código Civil.

Quando se compra um aparelho eletrônico e não se sabe como instalá-lo, procura-se ler o manual de instruções.

Ao preparar-se para uma avaliação, procura-se retomar os conteúdos no livro didático.

Grande parte das informações que precisamos para o dia a dia encontra-se em livros, manuais, documentos, revistas, jornais, entre outros recursos. No entanto, sabemos que nem tudo está escrito, pois, mesmo em uma cultura na qual predomina a escrita, nem todos os significados e sentidos são apresentados nos materiais impressos.

Diante disso, podemos compreender que, independentemente da cultura, a oralidade é parte do processo de desenvolvimento das pessoas, visto que por meio dela é possível ensinar a falar, a comportar-se em diferentes ambientes, a participar de rituais, a entender as regras de convívio e a orientar as pessoas utilizando-se de histórias, comentários, entre outras possibilidades.

Vamos compreender como isso ocorre?

Na cultura indígena, de modo geral, a forma de aprender os costumes ocorre primando-se pela oralidade que está presente nas tarefas, atividades diárias e rituais. É assim que em muitas comunidades indígenas os conhecimentos são transmitidos de geração a geração. Ou seja, as crianças aprendem os costumes ao acompanhar os adultos, observando, ouvindo e participando das atividades da aldeia. Confira um exemplo.

Quando o mais velho está fazendo uma canoa, o mais novo aproxima-se e olha. O mais velho percebe que ele está interessado, está olhando. Um faz e o outro observa. Chegará o momento em que o mais velho passará e observará o mais novo tentando fazer a canoa. Ele se diverte enquanto o mais novo quebra a cabeça para fazê-la. As intervenções são mínimas, mesmo para fazer um arco ou uma flecha. Não se ensina dizendo: “Faça desse ou daquele jeito”, mas observando o outro fazer. Esse é o segredo do aprendizado indígena: olhar, observar e fazer. O interessante é que nesse momento toda a sua atenção e todo o seu coração estão voltados para aquilo que está sendo feito. Por isso o indígena apreende. Ele nunca vai atrás de uma coisa para ter simplesmente informação sobre ela.

Na cultura dos índios Guaranis, pode-se observar a presença da tradição oral quando mães e irmãs mais velhas transmitem ensinamentos às crianças por meio do canto. As letras dos cantos falam das crenças religiosas, dos mitos e da terra sem males, considerada o destino de quem viver de acordo com os valores e costumes que identificam o modo de ser Guarani no mundo. Os cantos ensinados às crianças representam o primeiro contato com os valores próprios da dimensão religiosa desse povo.

Entre o povo Zoró, que vive na divisa do Mato Grosso com Rondônia, a formação das crianças é responsabilidade de toda a comunidade, que garante a continuidade dos valores e costumes da vida do povo. Entre os Zorós, a aprendizagem das crianças ocorre por meio da observação das atividades diárias dos pais, que está associada ao modo de adquirir o conhecimento. É no convívio e participação da vida familiar e da comunidade que as crianças aprendem sobre os rituais e tradições. Portanto, nessa tribo, o modo de ensinar e aprender acontece informalmente, com a participação nas atividades diárias.

Nas Tradições Religiosas africanas e afro-brasileiras, a oralidade é utilizada como forma de aprender, garantindo que os conhecimentos, os valores e as expressões religiosas sejam transmitidos. Assim, as histórias e a história da Tradição ocupam um Lugar central no modo de organizar a comunidade e a própria vida, pois conservam e expressam aquilo que é essencial, ou seja, a memória, os ensinamentos dos antepassados e os costumes, transmitindo-os às gerações seguintes.

▪ Nos grupos ciganos, originários do norte da Índia e atualmente espalhados no mundo todo, identifica-se a família como uma instituição sagrada, pois é nela e por meio dela que a história se mantém viva e os ensinamentos são transmitidos aos filhos pelos pais, por meio da oralidade. Os ciganos cultivam uma religiosidade com características orientais, em que a música, as cores e as danças são centrais nas celebrações de nascimento, casamento e morte. São nômades, por isso nunca lutaram pela posse da terra, por entenderem que ela é para todos.

Podemos identificar a presença da tradição oral no início do Judaísmo e do Cristianismo. Nessas duas Tradições Religiosas, os ensinamentos eram transmitidos na comunidade a partir dos pais aos filhos para que fossem garantidos às novas gerações o conhecimento e o entendimento dos poderes e maravilhas de Javé em favor do povo.

Nas culturas de tradição oral, as pessoas que transmitem os ensinamentos e costumes são consideradas sábias e merecedoras do respeito e admiração da comunidade. Observa-se, ainda, que na cultura de tradição oral as práticas religiosas fazem parte das atividades diárias da vida da comunidade, por isso conhecer os costumes e modos de viver e aprender das Tradições Religiosas ajuda a entender e respeitar as expressões e manifestações religiosas.

9º Ano – A diversidade cultural e religiosa

A diversidade cultural é patrimônio comum da humanidade. A cultura adquire formas diversas por meio do tempo e do espaço, que, por sua vez, manifestam-se na originalidade na pluralidade das identidades que caracterizam os grupos e a sociedade que compõem a humanidade.

Sendo fonte de intercâmbio, inovação e criatividade, a diversidade cultural é para o gênero humano tão necessária quanto a diversidade biológica para os organismos vivos.

Esta pluralidade em nossas sociedades garante uma interação harmoniosa quando impulsionada pela vontade do conviver das pessoas, acolhendo a inter-relação com as diferenças de forma dinâmica, formando uma única totalidade social, a humana.

Portanto, as políticas que favorecem a inclusão e a participação de todos são vitais para a construção da paz entre as nações e no interior destas.

O desenvolvimento das comunidades, das sociedades, não se limita apenas ao econômico, à educação físico-matemática, ao domínio da língua portuguesa, mas também ao acesso de seus integrantes a uma vida intelectual produtiva, afetiva, moral e espiritual.

Inclusive, em toda a diversidade dos grupos que ocupam as mesmas regiões ou áreas vizinhas, pois, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (artigo 27) garante que: “Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fluir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios”.

Este direito é um imperativo ético inseparável da dignidade do ser humano. Assim, os direitos com respeito à diversidade cultural marcam a possibilidade de liberdade de expressão nas mais variadas formas, pois divulgam as idéias e as particularidades das comunidades manifestadas no teatro, na pintura, nos textos, rituais e outras formas de expressão da identidade.

Deve-se lembrar, também, que toda criação tem suas origens nas tradições culturais desenvolvidas ao longo da história das comunidades, valorizando o passado e sustentando o futuro das gerações.

É o diálogo entre os grupos que catalisam as relações, gerando novas propostas de convivência mundial. Foi nesta perspectiva que ocorreu a homologação da Declaração Universal da Diversidade Cultural.

O fato de toda pessoa ter a liberdade de pensamento, de consciência (crenças) e de religião inclui a possibilidade de os indivíduos assumirem ou não uma opção de crença (um valor de verdade) de forma coletiva ou individual.

Neste sentido, a discriminação entre os seres humanos é uma ofensa à dignidade humana e deve ser condenada como uma violação aos Direitos Universais da pessoa. Contudo, a intolerância está aí e desafia a convivência das comunidades.

Um desafio que a educação deve se pôr, para efetivar a harmonia dos seres humanos: desenvolvidos o melhor possível e de posse do conhecimento historicamente construído.

 

9º Ano – Limites éticos e morais

Limite é a linha que determina uma extensão espacial ou que separa duas extensões.

O que é Ética e Moral: No contexto filosófico, ética e moral possuem diferentes significados. A ética está associada ao estudo fundamentado dos valores morais que orientam o comportamento humano em sociedade, enquanto a moral são os costumes, regras, tabus e convenções estabelecidas por cada sociedade.

Modéstia no vestir

Precisamos nos vestir bem, mas não podemos ser ocasião de pecado para os outros. Precisamos nos perguntar: “Essa roupa que eu visto leva o outro a me ver como um objeto sexual?”. Não é uma questão de dizer que o homem é sem vergonha, pois se a mulher faz questão de exibir certas partes do seu corpo, provocando-o, é bem provável que isso despertará a sensualidade e os desejos eróticos nele. Roupas curtas, calça colada, blusas decotadas e minissaias provocarão a imaginação do homem e não o ajudarão a viver a pureza e a santidade. Portanto, é questão de consciência, não de regras.

Fofoca:

Fofoca significa bisbilhotice, mexerico. A fofoca consiste no ato de descobrir uma informação sobre alguém e posteriormente contar essa informação a uma ou várias pessoas.

A fofoca é prática de uma pessoa xereta, que tenta descobrir segredos sobre alguém para compartilhar com outras pessoas. Em muitas ocasiões, o segredo partilhado pode nem ser verdade, mas é divulgado de igual forma.

Decálogo:

Conjunto de dez preceitos ou mandamentos

Mandamento = lei, portanto se refere mais a moral do que a ética.

Sabemos que as mais diversas tradições religiosas tem o seu próprio conjunto de regras e mandamentos, porém todos eles estão muito próximos do decálogo.

Honrar Pai e Mãe

– Respeito aos pais

– Obediência

Diálogo

Obs: estende-se aos superiores como por ex. os professores

Na primeira parte da vida nós nos perguntamos qual o sentido daquilo que a gente fez, o que a gente é. Na segunda parte da vida nos temos à sabedoria. Na primeira parte nos devemos nos orientar pelos mais velhos porque eles têm a sabedoria e a experiência.

Não matar

– Aborto

– Eutanásia

– Suicídio

– Homicídio

Não pecar contra a castidade
Integração correta da sexualidade na pessoa

– Namoro

– Se manter puro (corpo e alma)

– Relacionamento superficial dos jovens

Pensamento: Sempre que uma pessoa procura um prazer a curto prazo, vai ter um sofrimento a longo prazo.

Não roubar

– Apropriar-se do que não é seu

– Roubar a paz

O significado entre roubar e furtar é diferente: ROUBAR é pegar para si ou para outrem qualquer objeto móvel sob ameaça, violência ou xingamentos. FURTAR é se apoderar de qualquer objeto alheio sem o uso de palavras agressivas, ataques físicos ou intimidação

Não levantar falso testemunho

– Matar com a língua.

– Mentir

– Desmoralizar

– Ter misericórdia com o próximo

Não desejar a mulher do próximo

– Respeito ao compromisso assumido pelos outros

– Matrimônio

– A importância da família

Não cobiçar as coisas alheias

– Desapego

“O SER tem que estar acima do TER”

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